Nintendo remove jogo da eShop após criador revelar que inseriu um editor de código como "Easter egg"
"Estes últimos três dias foram os piores da minha vida."
A Nintendo removeu o jogo "A Dark Room" da eShop após o seu criador ter revelado que escondeu um easter egg que permitia às pessoas criar apps básicas.
Amir Rajan revelou que inclui um editor de código que permitia algumas criações básicas e isso motivou a Nintendo a remover o jogo da eShop para a Switch a 26 de abril - duas semanas após o lançamento.
Este editor está relacionado com uma linguagem de programação chamada Ruby e numa mensagem, Rajan anunciou o segredo como um anúncio inacreditável:
"Na semana passada, lancei A Dark Room para a Nintendo Switch. Dentro do jogo, inclui um interpretador Ruby e um editor de código como Easter Egg.
"Este Easter Egg torna qualquer Nintendo Switch de consumidor numa Ruby Machine."
Para aceder ao editor, bastava comprar A Dark Room, ligar um teclado USB e pressionar "~", explicou Rajan.
A Nintendo foi alertada para a situação e decidiu agir - removendo o jogo da sua loja digital, o que apanhou de surpresa a editora, a Circle Entertainment.
Agora, Rajan diz que apenas queria ajudar as crianças a descobrir a alegria da codificação e lamenta o sucedido, acrescentando que o editor não era muito poderoso.
"Lamento imenso que isto gerado tanta polémica.
"Um simples ambiente aberto para brincar foi descrito como uma enorme brecha. Claro que é a comunidade que explora estas coisas que o elevou a esse nível. Sou parcialmente responsável devido às minhas mensagens sensacionalistas.
"Agi sozinho e estupidamente. Foi uma 'inspiração' de última hora e foi inserido presumindo que inserir um teclado USB e pressionar "~" não fosse parte do plano de teste.
"Ver a Circle da lidar com os danos não é algo que queria. Estes últimos três dias foram os piores da minha vida. Não sei o que dizer além de pedir desculpa e tudo o que queria era permitir às crianças (e adultos que se esqueceram da alegria de codificar) descobrirem o que descobri há 25 anos atrás".
"A narrativa criada online é o que está errado neste mundo desprezível".
Rajan diz ter sido duramente insultado e que viu a notícia ser totalmente distorcida para se tornar sensacionalista. Diz que se a verdade fosse transmitida e a situação narrada de forma correcta, não chamaria a atenção.
"Mais uma vez, tenho parte da culpa por falar de forma sensacionalista das capacidades de codificação."
Rajan insiste que o editor de código apenas deixa as pessoas usar a Ruby para desenhar linhas, quadrados, tabelas e ouvir sons de A Dark Room, permitindo ainda ver se um botão no Joy-Con foi pressionado.
"Nem sequer consegues renderizar uma imagem com isto".
"Por isso sim, se a tua app é composta completamente por tabelas, quadrados e linhas (como A Dark Room), isto deixa-te construir uma app sem executar hacks."
Apesar das intenções de Rajan, não é surpresa ver a Nintendo a reagir a possíveis brechas de segurança na sua consola. É algo ao qual a companhia sempre prestou atenção e revela alguma ingenuidade por parte de Rajan.
O criador do jogo não sabe o que vai acontecer agora e diz que não foi contactado pela Nintendo. No entanto, uma coisa é certa, a Circle não está nada contente com a situação.
"Estamos em conversações com a Nintendo para obter esclarecimentos sobre os próximos passos e agir de acordo; são circunstâncias lamentáveis e pedimos desculpa pelo problema," disse a Circle.
"Até descobrirmos o que fazer em seguida com a Nintendo, não podemos dizer mais nada."
De momento, ainda não sabemos se o jogo voltará à eShop e Rajan apenas pode esperar que a Nintendo olhe para o seu caso e decida que não teve más intenções.